Sou arquiteto e urbanista pela UFRJ, com mestrado em Arquitetura
Paisagística pelo PROURB e um semestre na Universidad de Buenos
Aires entre as duas formações.
Treze anos depois de me formar, o que me interessa é o que mudou
pouco: a relação entre a matéria de uma parede e a paisagem que
ela emoldura, entre o desenho de um caixilho e a calçada que ele
dá. Trabalho da residência de 120 m² ao território de quase um
milhão. Da prancheta à obra. Coordeno equipes desde Rio 2016 e
atuei em escritórios — Arquitraço, Sá & Almeida, Quorum —
antes de assumir projetos próprios.
Paisagismo entrou cedo no método. Não como camada decorativa,
mas como estrutura: insolação, solo, espécies nativas, tempo.
Os projetos que mais me marcaram — Highlight Jardim Botafogo,
Maré Verdejando, o Memorial da Maré — foram aqueles em que o
vegetal projetou junto.
A dimensão social do ofício também ficou cedo. Rocinha, Babilônia,
Chapéu Mangueira: urbanizar favela é a forma mais radical que
conheço de praticar arquitetura — onde a escala do desenho
encontra a escala da injustiça.
Tudo o que faço passa pelas duas pontas: o partido conceitual
e o detalhe de execução. Não terceirizo nenhuma das duas. É
o que sei fazer.